Por Luis Claudio Junior
A vida real anda meio sem graça, pois nossa realidade anda migrando à fantasia do mundo virtual: um plano em que nós não sentimos fome ou dor, não nos preocupamos com a violência e não precisamos nos inquietar em razão dos problemas do cotidiano moderno. Fugir é a palavra mais correta que encontramos para definir o interesse febril do brasileiro pelo fantástico mundo virtual.
De acordo uma pesquisa realizada pelo IBGE, 73% dos brasileiros (antes de dormir e até mesmo antes de comer, que são necessidades fisiológicas do homem) usam Facebook, Orkut ou Twitter para se comunicar com outras pessoas e para atualizar seus dados perante tais ferramentas. Essas ferramentas online viraram uma necessidade tão igual ou até mesmo igual a um vício por cigarros ou por bebidas alcoólicas. Para essas pessoas, o mundo virtual é uma realidade contínua à vivência social.
Atentando-se a esse público, uma fatia expressiva do mercado virtual, a empresa brasileira de brinquedos Estrela está para relançar clássicos como Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive e Autorama para o espaço virtual. A ideia do presidente da Estrela Carlos Tilkian é fazer os usuários jogarem uma fase gratuitamente e, se quiserem avançar para outras fases mais complexas, pagarem um pequeno valor para concretizar o desejo de continuar o jogo. Tilkian disse ainda que os valores que podem chegar ao mundo virtual apesar do custo ser menor é incomparavelmente maior que no mundo real, já que no virtual o consumo é superior, em face da quantidade de usuários, que na vida real. O Brasil está mais apegado à fantasia da internet e, por isso, talvez prefira o jogo em versão online.
O brasileiro anda meio esquecido do convívio societário e, com isso, os tradicionais hábitos (como pedir a bênção aos pais ou cumprimentar o vizinho com um bom dia) estão a cada dia mais distantes da realidade social brasileira. Contudo, talvez possa ser bom dar um pulo no mundo virtual – onde não somos filhos de Deus, mas sim da tecnologia avançada criada pelo homem.
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