Por Olívia Vidal
Desde o princípio da vida humana, já existia a cultura, que é vista como um fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer comunidade. Entende-se a comunidade, pela perspectiva de Zygmunt Bauman, como um paraíso onde as pessoas estão a salvo das ameaças que lhe são externas, isto é, um “lugar aconchegante”. Já no Dicionário Informal, pode-se vê-la como “um conjunto de seres vivos inter-relacionados que coabitam um lugar”. Transferindo os conceitos de comunidade à cidade de Arraial do Cabo, o que se visualiza? Vê-se uma comunidade, mas que necessita de maiores incentivos à cultura para ampliar a sua posição de cidade, visto que suas pessoas possuem interesses comuns e têm a necessidade de pertencer a uma mesma cultura embrionária.
Quando se pergunta a qualquer político quais são as questões primordiais de um governo, logo se ouve que é necessária a priorização da educação e da saúde. Eles até podem, em alguns casos, referenciar a segurança pública, que costuma ser um dos ideais de uma comunidade. Se você compartilha da mesma ideia presente neste texto, quando for ao cinema de Arraial do Cabo provavelmente se perguntará: “Onde essas teorias e discursos são empregados?”.
O cinema de Arraial do Cabo, na época de sua inauguração, foi uma grande conquista para a comunidade cabista. A primeira benfeitoria de seu governo foi levar alunos de escolas públicas para prestigiar o evento inaugural. Muitas pessoas ficaram extasiadas com a magia do cinema e suas grandes produções. Por mais incrível que possa parecer, o cinema se tornou realidade naquele momento para muitas crianças. Quaisquer estatísticas nos poderiam mostrar que, ao se deparar com produções cinematográficas de tão distantes culturas em tão grandes telas, crianças de realidades sociais diversas tiveram uma nova projeção de suas qualidades culturais ao ampliá-las sem nunca antes terem saído do município ou explorado outras mídias que não fossem a televisão.
Se hoje for ao “portal da magia” do cinema de Arraial do Cabo, você vai se deparar com portas fechadas para a cultura e com uma visão estarrecedora – até um tanto conturbada – ao se dar conta de que agora acontece uma evidente migração dos valores de cultura e educação para a miséria e o avesso do que seriam julgados os direitos à cultura, que deveriam ser garantidos à infância – conforme as nossas presentes leis. No “portal da diversão”, são encontrados seres humanos jogados ao léu, que dividem seu espaço com cães abandonados e que chegam a um denominador comum: a miséria.
Em uma pequena cidade, já com a presença de um dos grandes problemas das metrópoles, se ouvimos a frase “Eu já fui professor de vocês!”, somos levados a pensar mais na vida; e pensar nos porquês daquelas pessoas que agora chegaram a esse estranho aspecto da vida. Por quê? O que se torna cada vez mais claro? Tem-se uma irresponsabilidade deles, da sociedade ou de apenas mais “alguns” dentro das estatísticas de desigualdade da política cultural que temos no nosso país? Eles deixaram de fazer parte da comunidade de Arraial? Onde fica a Constituição? Aonde foi e se estagnou a luta pelos nossos direitos?
Neste ano, o município ganhou um recurso judicial e passou de limítrofe para petroprodutor; já é considerado rico, estando ao lado de Macaé e Rio das Ostras. Então, resta-nos esperar que as políticas públicas não somente fiquem no plano das ideias, mas também possam vigorar em favor da defesa dos direitos da criança cabista, pois isso, sim, é primordial.
Desde o princípio da vida humana, já existia a cultura, que é vista como um fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer comunidade. Entende-se a comunidade, pela perspectiva de Zygmunt Bauman, como um paraíso onde as pessoas estão a salvo das ameaças que lhe são externas, isto é, um “lugar aconchegante”. Já no Dicionário Informal, pode-se vê-la como “um conjunto de seres vivos inter-relacionados que coabitam um lugar”. Transferindo os conceitos de comunidade à cidade de Arraial do Cabo, o que se visualiza? Vê-se uma comunidade, mas que necessita de maiores incentivos à cultura para ampliar a sua posição de cidade, visto que suas pessoas possuem interesses comuns e têm a necessidade de pertencer a uma mesma cultura embrionária.
Quando se pergunta a qualquer político quais são as questões primordiais de um governo, logo se ouve que é necessária a priorização da educação e da saúde. Eles até podem, em alguns casos, referenciar a segurança pública, que costuma ser um dos ideais de uma comunidade. Se você compartilha da mesma ideia presente neste texto, quando for ao cinema de Arraial do Cabo provavelmente se perguntará: “Onde essas teorias e discursos são empregados?”.
O cinema de Arraial do Cabo, na época de sua inauguração, foi uma grande conquista para a comunidade cabista. A primeira benfeitoria de seu governo foi levar alunos de escolas públicas para prestigiar o evento inaugural. Muitas pessoas ficaram extasiadas com a magia do cinema e suas grandes produções. Por mais incrível que possa parecer, o cinema se tornou realidade naquele momento para muitas crianças. Quaisquer estatísticas nos poderiam mostrar que, ao se deparar com produções cinematográficas de tão distantes culturas em tão grandes telas, crianças de realidades sociais diversas tiveram uma nova projeção de suas qualidades culturais ao ampliá-las sem nunca antes terem saído do município ou explorado outras mídias que não fossem a televisão.
Se hoje for ao “portal da magia” do cinema de Arraial do Cabo, você vai se deparar com portas fechadas para a cultura e com uma visão estarrecedora – até um tanto conturbada – ao se dar conta de que agora acontece uma evidente migração dos valores de cultura e educação para a miséria e o avesso do que seriam julgados os direitos à cultura, que deveriam ser garantidos à infância – conforme as nossas presentes leis. No “portal da diversão”, são encontrados seres humanos jogados ao léu, que dividem seu espaço com cães abandonados e que chegam a um denominador comum: a miséria.
Em uma pequena cidade, já com a presença de um dos grandes problemas das metrópoles, se ouvimos a frase “Eu já fui professor de vocês!”, somos levados a pensar mais na vida; e pensar nos porquês daquelas pessoas que agora chegaram a esse estranho aspecto da vida. Por quê? O que se torna cada vez mais claro? Tem-se uma irresponsabilidade deles, da sociedade ou de apenas mais “alguns” dentro das estatísticas de desigualdade da política cultural que temos no nosso país? Eles deixaram de fazer parte da comunidade de Arraial? Onde fica a Constituição? Aonde foi e se estagnou a luta pelos nossos direitos?
Neste ano, o município ganhou um recurso judicial e passou de limítrofe para petroprodutor; já é considerado rico, estando ao lado de Macaé e Rio das Ostras. Então, resta-nos esperar que as políticas públicas não somente fiquem no plano das ideias, mas também possam vigorar em favor da defesa dos direitos da criança cabista, pois isso, sim, é primordial.
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