Por Olívia Vidal
Beto Guedes teve apurado gosto quando deu o título “Amor de Índio” para sua canção e a sua música nunca pareceu tão atual. Vivemos cercados pela ideia de que o mundo vai acabar; tudo pelo mau uso dos recursos naturais resultante do alto crescimento demográfico, do acúmulo de capital das empresas que puderam se expandir e oferecer os mais variados produtos e do consumismo que, diferentemente de consumo, é o ato do consumo de produtos supérfluos – provocado “muitas” vezes pelas mídias.
Para suprir essa sociedade de consumo, o homem interfere de forma incalculável no meio ambiente, como se ele fosse um grande supermercado. Mas com tantos aparatos tecnológicos e científicos, os homens não previram esse esgotamento? É nesse contexto que entra o amor de índio. Em 1855, um cacique de Seattle, da tribo Suquamish, enviou uma carta de resposta ao então presidente dos Estados Unidos, Francis Pierce, depois do político mostrar interesse em suas terras. Destacarei um trecho:
“Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exauri-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.”
A música “Amor de Índio” e a carta do chefe indígena se confundem. Ambas nunca pareceram tão atuais. Será que somos civilizados? Está ao nosso alcance o desenvolvimento sustentável? Uma das maiores metas dos ambientalistas é colocar em prática a ideia de educação ambiental. Podemos entendê-la como um processo de formação e informação que nos orienta ao desenvolvimento da consciência crítica referente às questões ambientais e às atividades que levem a participação de comunidades na preservação do equilíbrio ambiental.
Diariamente vemos diversas empresas que atuam em favor de causas ambientais; tal como faz a Natura, a Petrobras e a Faber Castell, por exemplo. Deve-se votar com a sabedoria dos índios para eleger políticos que empreendam políticas públicas que vigorem para essa causa, além, é claro, da conscientização dos próprios habitantes de nosso planeta. O segredo é agir local e pensar global.
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