Por Raissa Carvalho
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas feitas de maneira repetitiva por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo “bullying” tem origem na palavra inglesa “bully”, que significa valentão/brigão. Mesmo sem uma denominação portuguesa, a palavra é entendida como ameaça, intimidação, humilhação e detração.
Um estudo feito pelo serviço secreto dos EUA mostrou que, nos 66 ataques em escolas que ocorreram no mundo de 1966 a 201, 87% dos atiradores foram acometidos por “bullying” e se moviam pelo desejo de vingança. Em 76% dos ataques, os assassinos eram adolescentes.
As vítimas do “bullying” estão mais perto do que nós imaginamos. Por exemplo, a atriz e cantora Demi Lovato tem lidado nos últimos anos com os efeitos de ter sido alvo de “bullying” quando era nova, por ser gordinha. Ela procurava refúgio na automutilação, ou seja, cortava o próprio corpo, pois assim, segundo ela, estaria se “punindo”, de certa forma, pela insatisfação com a própria aparência. Agora, ela enfrenta problemas com a alimentação e quase não come, para se manter magra.
E quem sofreu “bullying” pelo mesmo motivo de Demi – que estava acima do peso – agora apela às cirurgias de redução de estômago como forma de escapar das gozações e da exclusão social.
Uma pesquisa do IBGE apontou que 21,7% dos jovens entre 10 e 19 anos e mais de 30% das crianças entre cinco e nove anos estão acima do peso.
Além do “bullying” tradicional, por assim dizer, existem as agressões virtuais. É o “cyberbullying”, que se caracteriza pela prática de humilhações e ridicularizações executadas por meio da internet, às vezes atingindo pessoas desconhecidas ou até professores. Apesar de ser praticado de forma virtual, o “cyberbullying” tem preocupado pais e educadores porque, através do ciberespaço, os insultos se multiplicam rapidamente e ajudam a contaminar outras pessoas.
Segundo especialistas, o preço a se pagar é alto. As crianças que já sofreram qualquer forma de “bullying”, em geral, demonstram-se estressadas, angustiadas e por vezes depressivas, podendo futuramente recorrer à toxicodependência como forma de estabilização momentânea da personalidade depressiva. Não é raro a vítima entrar em depressão, tornar-se agressiva e alimentar pensamentos suicidas. O autor da agressão, por sua vez, corre o risco de perpetuar este comportamento, tornando-se delinquente e marginalizado. Todos os alunos, os que não se envolveram, costumam ser afetados, reagindo com insegurança e medo.
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