18 de maio de 2011

Movimento das sem cantadas (MSC)

Por Daniele de Sá

Se toda vez em que ouve uma cantada ao estilo “Você é a nora que mamãe pediu a Deus” você sente uma vontade incontrolável de esbofetear um engraçadinho com golpes de Muay Thai recém-aprendidos no curso de defesa pessoal, além de ter certeza absoluta de que não é nenhum anjinho desavisado que caiu do céu por puro descuido ou de que muito menos o seu cachorrinho de estimação não tem telefone, você vai adorar essa!

Mulheres britânicas cansadas de levar cantadas e insinuações para lá de exaltadas nas ruas se reuniram numa espécie de “clube da Luluzinha” e criaram o site do grupo internacional “Hollaback”, que se destina a estimular vítimas a relatar esse tipo de experiência e a identificar os locais em que elas ocorreram.

E como prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, há inclusive os casos em que as fotos dos “cantantes” são colocadas na internet e expostas à visitação pública. O movimento das sem cantadas já conta com algumas vitórias significativas; alguns países tomaram providências para refrear manifestações mais inflamadas, que muitas vezes pode resultar em casos de violência sexual.

Na Índia e no Japão, vagões de metrô foram reservados para serem ocupados apenas por mulheres. Nos EUA, várias universidades receberam mais postes de iluminação e telefones de emergência para mulheres que caminham durante a noite. Se dependermos do desempenho das ativistas, muitos homens inconvenientes pensarão duas vezes antes de abrir suas bocas.

As ativistas alegam que é difícil distinguir quais homens se limitarão aos assobios dos que de fato podem ir além das cantadas e evoluir para uma violência sexual. Ao mesmo tempo em que muito se fez para coibir o assédio sexual no ambiente de trabalho, há poucas formas de proteção de mulheres nas ruas.

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