Por Adriane Andrade
Desde o governo Lula, o Brasil vem sendo reconhecido como uma economia de destaque no cenário mundial. Seja intermediando crises ou pleiteando uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU, o país não é mais relegado ao segundo plano e demonstra ter alcançado maturidade política.
A visita de Obama é uma demonstração clara do interesse dos EUA na América Latina e em especial, no Brasil. Embora estivessem em pauta questões relevantes e delicadas para os dois países, como o fim da exigência do visto, o pré-sal e a barreira alfandegária a produtos nacionais, o encontro representou um avanço nas relações comerciais e diplomáticas de ambos.
Porém, a grande expectativa da visita era em relação ao apoio formal do presidente americano à aspiração brasileira a uma vaga na ONU. Mas o que se viu foi um Obama reticente, muito cauteloso em dar uma opinião oficial sobre o assunto.
Ao contrário de seu antecessor e do visitante ilustre, Dilma Rousseff tem se posicionado de maneira clara, principalmente quando se trata de temas polêmicos, como no caso do Irã, país com o qual mantínhamos um relacionamento amistoso. Até hoje, o Brasil evitou interferir em assuntos internos de outras nações, mas mudando de posição apoiou a decisão da ONU de investigar possíveis violações aos direitos humanos em solo iraniano.
A mudança de atitude vista com bons olhos pelo governo americano, não foi suficiente para os EUA apoiarem incisivamente o Brasil em seu pleito junto as Nações Unidas. Mas, por que um país que sempre teve uma conduta pacífica e que é reconhecido como um protagonista no cenário mundial deve ficar de fora nas tomadas de decisões globais?
É certo que partilhar os interesses comerciais e assinar acordos bilaterais é bom para os dois países, mas os EUA não estão dispostos a diminuir o seu poder de atuação na ONU. As duas nações pertencem ao continente americano, e uma divisão de poder viria a enfraquecer os EUA. Tanta cautela talvez signifique que estamos próximos de alcançar o merecido lugar que já nos pertence por direito. Se cuida EUA!
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